Povo anfíbio




Uma das principais caracterísiticas das cidades amazônicas é a sua localização nas beiras dos rios e sendo a vida delas e de seus povos ligadas aos rios e a floresta, grande parte de seu mundo está no porto; é por onde se chega e por onde se vai. O porto faz a intermediação entre o rio, a floresta e a cidade. O rio, a floresta e a cidade têm, no porto, a fronteira entre a realidade e a ficção.

A enchente desse ano invadiu as cidades nas margens d'água, invadindo suas fronteiras e mexendo com a vida de muita gente. O povo da zona rural, de muitas cidades do interior do estado e da capital estão sofrendo com a força da água que invadiu seus espaços. Infelizmente os pobres são os que mais sofrem e com certeza esse tempo está revelando a frágil estrutura habitacional de nosso mundo. E cada um se vira como pode, levanta soalho, fazem marombas, pontes; a criatividade nessa hora é infinita!

Tanto nas cidades pequenas, como na capital ficou claro que há milhares de pessoas vivendo em áreas de riscos; morando em leitos de igarapés que foram ao longo dos anos se transformando em depósitos dos nossos restos mortais. Esgostos de sanitários, banheiros e pias que se misturam com o lixo, tudo sendo misturado e transformado em depósitos de doenças.

Essas lixeiras de fezes, urinas e outras imundíceis são moradas de ratos, cobras e tantas outras espécieis de insetos e animais peçonhentos. Tudo resultado da péssima arquitertura de nossas cidades que "parecem" não saberem o que fazer com os esgotos e do outro lado a fraca coleta de lixo, e nossa péssima educação ambiental, despejam tudo no leito dos igarapés, que "indefesos" a tudo engolem e agora, na enchente estão provocando sobre nós, nosso próprio lixo.

Muitos já sofrem com problemas de saúde pela situação que estão vivendo dentro d'água, como povos anfíbios. As bacterias, fungos, verminoses estão também convivendo com essa gente, morando na mesma casa, vão se tornado íntimos e mudando da água da terra, para a água do corpo e o resultado dessa convivência íntima, não poderia ser outro, se não a doença.

A fronteira da realidade e da ficção do rio e da floresta com cidade é o porto, que ficou distante; agora essas fronteiras são a casa, os móveis e o próprio corpo. Corpo que invadido pelo mundo da água sofre suas consequências físicas e imaginárias, míticas e místicas; por isso que muitos de nós iremos até o rezador, benzedor, macumbeiro e pajé para tirar do corpo a mãe d'água que tomando de conta de nós, traz todas as dores da mãe do corpo!

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Povo anfíbio Unknown Rating: 5 quarta-feira, 24 de julho de 2013

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